Realização de cerco de embarcações com barreiras de contenção (POP)



Como especialista em manobras de embarcações de resposta a emergências e recolhimento de óleo (Oil Recovery), estruturei o documento focando em clareza de comando, segurança das tripulações e eficiência náutica sob diferentes cenários de vento e corrente.

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO (POP)

Código: POP-OS-001 | Área: Resposta a Emergências Ambientais / Marítima

Título: Realização de Cerco com Barreiras de Contenção em Embarcações Sinistradas

1. OBJETIVO

Estabelecer as diretrizes técnicas, manobras náuticas e padrões de segurança para a execução rápida e eficiente do cerco (completo ou parcial) com barreiras de contenção ao redor de embarcações que apresentem vazamento de óleo ou risco iminente de poluição hídrica.

2. CAMPO DE APLICAÇÃO

Aplica-se a todas as tripulações das embarcações de recolhimento de óleo (Oil Recovery / OSRV), embarcações de apoio rápido (Lanchas/Botes de Apoio) e equipes de terra/terminais envolvidas na resposta a emergências marítimas.

3. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) E COLETIVA (EPC)

3.1 EPIs Obrigatórios por Operador

A exposição a hidrocarbonetos e a movimentação de cabos e defensas sob tensão exige proteção específica:

  • Colete Salva-Vidas: Homologado pela Marinha do Brasil (Classe III ou II, autoinflável ou rígido de alta mobilidade).
  • Proteção de Mãos: Luvas de nitrilo/neoprene (resistência química a hidrocarbonetos) sobrepostas por luvas de couro com raspa (para manuseio de cabos de amarração e amarras de aço). Nota: Substituir as luvas de algodão do rascunho original por nitrilo para evitar absorção de óleo na pele.
  • Calçado de Segurança: Botas de PVC antiderrapantes com biqueira de composite/aço.
  • Proteção Visual: Óculos de segurança ampla visão (contra respingos de óleo e água salgada).
  • Proteção de Cabeça: Capacete de segurança com jugular resistente a impactos.
  • Proteção Cutânea: Creme de proteção dérmica (barreira contra agentes químicos).

3.2 EPCs Críticos na Manobra

  • Rádios transceptores VHF portáteis intrinsecamente seguros (classe Ex - para atmosferas explosivas).
  • Boias de arinque de alta visibilidade e defensas sobressalentes.
  • Facas de marinheiro de rápido acesso (para corte de cabos em caso de emergência).

4. DIRETRIZES DE PLANEJAMENTO E REQUISITOS DE MATERIAL

A escolha do método de contenção e o dimensionamento das barreiras devem considerar os fatores ambientais locais (velocidade da corrente, direção do vento, estado do mar) e as características do sinistro.

Tabela 1: Requisitos de Comprimento de Barreiras de Contenção

Cenário / Aplicação

Cálculo de Comprimento Mínimo

Observações Técnicas

Cerco Completo (Embarcação fundeada ou à deriva em águas abrigadas/mar calmo)

Comprimento Total da Embarcação

Fornece área de manobra interna e evita que a barreira colapse contra o costado sob efeito de vento/corrente.

Cerco Parcial (Embarcação atracada em terminal/pier)

Curvatura e distância da costa

O casco do próprio navio funciona como parede de contenção. Requer vedação (sealing) hermética na proa e na popa.

⚠️ Nota Operacional: Correntes de maré superiores a 1,0 nó comprometem a eficiência das barreiras convencionais, provocando o fenômeno de escape por drenagem (quando o óleo passa por baixo da saia da barreira). Nestas condições, deve-se ajustar o ângulo de cerco ou utilizar barreiras de alta velocidade.

5. SEQUÊNCIA OPERACIONAL (PASSO A PASSO)

Para a execução segura, a operação requer duas embarcações e quatro operadores (dois na embarcação principal e dois na embarcação de apoio).

5.1 Comunicação e Briefing Prévio

  1. Realizar reunião de segurança (DDM - Diálogo Diário de Segurança) antes do início da faina.
  2. Sintonizar e testar os rádios VHF em canal de trabalho previamente acordado e homologado (ex: Canal 68 ou 17 VHF).
  3. Confirmar se os operadores estão portando EPIs e se as embarcações estão prontas para manobra de reboque/lançamento.

5.2 Processo de Lançamento e Configuração do Cerco

1.Lançamento Inicial da Barreira: Embarcação Principal (OSR).

A embarcação principal inicia a faina lançando a barreira na água pela popa, navegando a baixa velocidade (1 a 2 nós), contornando o navio sinistrado pelo sotavento (lado protegido do vento) para facilitar o controle da deriva da barreira.

2.Conexão e Reboque pela Embarcação de Apoio: Apoio Tático.

A embarcação de apoio recolhe a extremidade da barreira lançada e auxilia na tração, mantendo a barreira esticada para evitar que ela seja puxada para baixo do casco do navio sinistrado ou enrosque nos propulsores.

3.Lançamento do Sistema de Ancoragem (Ferros de Popa):Segurança de Posicionamento.

Lançar 02 ferros (âncoras) na popa do navio sinistrado (um a boreste - BE, e outro a bombordo - BB). As amarras/cabos desses ferros devem estar devidamente conectados a boias de arinque altamente visíveis para identificação de posicionamento.

4.Conexão dos Cabos de Alheta na Popa: Embarcação de Apoio.

A embarcação de apoio conecta os dois primeiros cabos de posicionamento da barreira:

  • Cabo 1: Em direção à alheta de Bombordo (BB).
  • Cabo 2: Em direção à alheta de Boreste (BE).

5.Lançamento do Sistema de Ancoragem e Cabos de Proa: Fechamento do Quadrado.

Repetir o procedimento na seção de proa do navio sinistrado:

  1. Lançar 02 ferros na proa (um a BE e outro a BB).
  2. Conectar os cabos de manobra da barreira em direção às bochechas de BB e BE do navio sinistrado.

6.Tensionamento e Ajuste Final do Formato: Embarcação Principal.

A embarcação principal traciona os cabos um a um de forma coordenada, esticando a barreira até que o cerco forme uma configuração geométrica estável (geralmente um quadrado ou retângulo) ao redor do navio, mantendo uma distância segura do costado.

6. CRITÉRIOS DE QUALIDADE E MONITORAMENTO DA MANOBRA

O sucesso da operação depende da manutenção da integridade geométrica do cerco. A equipe deve monitorar constantemente os seguintes pontos:

  • Tensão dos Cabos: Cabos excessivamente tensionados podem romper ou arrastar as âncoras. Cabos frouxos permitem que a barreira encoste no casco do navio, o que pode danificar o tecido da barreira ou permitir vazamento nas extremidades.
  • Sinalização visual: Todas as âncoras e pontos críticos do cerco devem possuir boias de arinque. À noite, o cerco deve ser sinalizado com luzes estroboscópicas autocompensadas nas extremidades.
  • Efeito de Corrente e Maré (Folga de Maré): Em locais com grande variação de maré, os cabos de fixação devem ser ajustados periodicamente para evitar que a barreira fique suspensa no ar ou excessivamente submersa.
  • Evitar Atrito: A barreira nunca deve esfregar diretamente contra superfícies cortantes do cais ou do próprio navio. Devem ser utilizadas defensas pneumáticas nos pontos de aproximação.

7. AÇÕES DE EMERGÊNCIA (PLANOS DE CONTINGÊNCIA INTERNOS)

  • Ruptura da Barreira: Em caso de fadiga do material, a embarcação de apoio deve aproximar-se imediatamente para passar um cabo de segurança (lash) e conter a abertura até a chegada de um segmento de substituição.
  • Homem ao Mar: Interromper imediatamente todas as fainas de reboque, colocar os motores das embarcações em neutro e iniciar o protocolo padrão de resgate de homem ao mar.
  • Enrosco de Cabos no Propulsor: Em caso de perda de propulsão por cabo na hélice, a embarcação afetada deve fundear imediatamente para evitar colisão contra o navio sinistrado ou cais e acionar o apoio de emergência de terra.
Manobrar sob pressão exige mais do que técnica: exige precisão, comunicação e respeito ao mar.
Este POP é a espinha dorsal de uma resposta marítima eficiente, mas sabemos que a teoria no papel sempre encontra variáveis imprevisíveis na prática: uma corrente de maré que muda subitamente, um vento que vira ou um equipamento que apresenta desgaste inesperado. É nesse momento que o treinamento e a experiência da tripulação fazem toda a diferença entre conter o incidente e ver o cenário se agravar.
💬 Queremos ouvir quem vive a operação no dia a dia. Deixe sua experiência nos comentários:
  1. Na prática, qual é o maior desafio para manter a geometria do cerco estável: a comunicação entre as duas embarcações ou as condições ambientais (vento/corrente > 1 nó)?
  2. Vocês já tiveram que adaptar o uso de EPIs ou EPCs em campo (como a combinação de luvas mencionada) para lidar com situações que o manual padrão não cobria totalmente?
  3. Qual é a "lição aprendida" mais valiosa que sua equipe tirou de um simulado ou de uma resposta real envolvendo cerco de embarcações?
O conhecimento tático compartilhado é o que eleva o padrão de segurança e eficiência de toda a cadeia de resposta marítima. Sua dica pode evitar um incidente ou otimizar a próxima manobra de um colega.
🔄 Compartilhe este POP com sua tripulação, equipes de OSRV, gestores de terminais portuários e profissionais de SMS. A padronização salva vidas, protege o meio ambiente e garante a excelência operacional.
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