Primeira Fase (Parte 1) – Planejamento e Estruturação do Trabalho
As atividades desta fase
consistem na discussão das características regionais do local do Plano de
Emergência, visando o entendimento comum da equipe técnica sobre os objetivos
gerais do trabalho e os objetivos específicos de cada etapa de trabalho. Nela,
busca-se o conhecimento das características do local para criação do plano, a
definição de atribuições e responsabilidades da equipe técnica envolvida e a
adequação e o detalhamento do cronograma do trabalho.
De modo a orientar as
discussões visando o planejamento e a estruturação do trabalho, faz-se pesquisa
dos recursos e das características básicas da região e um exercício de
identificação das principais questões a serem levadas em consideração na
estratégia. Realiza-se uma identificação, teórica e preliminar, dos potenciais
impactos ambientais.
Tendo em vista a complexidade
e a multiplicidade de elementos a serem observados para a cobertura dos
diversos temas socioambientais, este estudo possui na multidisciplinaridade um
importante princípio. Para obter melhores resultados na interação interdisciplinar
serão realizadas consultas a diversas fontes de pesquisa, analisando de
preferência estudos e monografias já realizadas a respeito do local, a fim de
melhor definir os objetivos específicos do estudo, as estratégias e o
detalhamento do Plano de Emergência a ser criado.
O período de realização das atividades desta fase deve ser
executado nos primeiros dias de vigência do projeto, se dividindo em 4 etapas
específicas: Montagem e mobilização da equipe; Estudo do caso; Detalhamento
metodológico e Mapeamento da área envolvida.
Montagem
e Mobilização da Equipe Técnica
Os planejamentos dos trabalhos
para a elaboração das estratégias indicam a necessidade de se contar, na
montagem da equipe técnica, com os seguintes graus de responsabilidade:
1.
Supervisão do
projeto: responsável pelo conjunto de
atividades técnicas e administrativas do trabalho.
2.
Assistência do
Projeto: responsável pelo acompanhamento e
providências relacionados aos aspectos técnicos dos serviços.
3.
Consultoria: responsável pelo apoio técnico ao projeto.
4.
Logística: responsável pelo apoio logístico ao projeto.
5.
SMS: responsável pelo apoio nas questões de segurança, meio
ambiente e saúde.
6.
Equipe de Campo: responsável por todas as informações de campo, suporte e
acompanhamento dos levantamentos a serem realizados.
Entre as atividades técnicas a
serem divididas entre as equipes consta:
●
a) Atividades de
Elaboração dos Estudos: pesquisa de dados
em publicações, na Internet e nos materiais técnicos disponíveis.
●
b) Atividades de
Mapeamento e GIS: levantamento de
coordenadas e dados para confecção de mapas e croquis que irão compor o Plano
de Emergência.
●
c) Atividades de
Apoio Técnico: ajustes das informações,
geração de dados específicos e composição do documento final do Plano de
Emergência conforme a CONAMA 398.
Cabe ressaltar que os técnicos que assumem
responsabilidades específicas, em sua maioria, acumulam funções, além de
exercerem atividades técnicas na realização dos estudos. O ideal é obter um
grupo coeso, com um cronograma que garanta pleno controle de todas as
atividades a serem desenvolvidas, capaz de manter uma dinâmica sistemática de
reuniões de trabalho. No decorrer das atividades, outros técnicos especialistas
podem ser mobilizados a prestar consultoria às atividades do grupo, sempre que
necessário.
Estudo do
Caso
Conforme os dados disponíveis
da região em estudo, com as informações constantes nas hipóteses de risco de
incidente, serão realizados os estudos do caso para avaliação inicial do plano.
Os dados gerados pelo estudo do caso nortearão as pesquisas iniciais e vão
gerar subsídios para o planejamento do levantamento de campo na região.
Algumas análises devem ser
realizadas para garantir êxito neste processo:
●
Análise da
Construção: avaliação dos principais
termos e variáveis do local sob risco para que se saiba exatamente o que se
quer pesquisar. Este passo é composto da avaliação da região indicada e dos
produtos ou situações envolvidas nos riscos.
●
Análise da
Evolução: avaliação do relacionamento
causal que explique as consequências esperadas no comportamento do hipotético
risco com a sensibilidade e a vulnerabilidade esperada no local. Análise das
fontes do problema (causas) refletindo nas situações consequentes (efeitos).
Testando a coerência entre as proposições iniciais, desenvolvimento e
resultados encontrados.
●
Análise da
Abrangência: avaliação da região sobre a
qual as consequências podem ser relacionadas. Testando a coerência entre os
achados do estudo na região do plano, vendo a possibilidade dos resultados
serem também aplicáveis aos arredores expostos.
●
Análise da
Confiabilidade: avaliação do estudo
realizado, vendo outras possibilidades e verificando se obtém resultados
assemelhados. A Minuta do Estudo do Caso do Plano de Emergência e a base de
dados do estudo são fundamentais para verificação da confiabilidade.
1. Preparação
Para realizar o Estudo do Caso
eficaz serão formuladas boas questões com interpretação das respostas. É
necessário ser adaptativo e flexível sem perder o rigor - não ter receio, se
necessário, escolher outros aspectos, coletar outras informações, ou decidir
refazer o "design". Adquirir grande conhecimento sobre o local onde o
cenário foi proposto é vital neste processo. Os dados coletados serão sempre
bem documentados.
A Minuta do Estudo do Caso é a
versão inicial do Plano de Emergência, contendo as informações iniciais da
pesquisa. A função da minuta é gerar um documento inicial de trabalho servindo
como guia ao longo das atividades do estudo.
Como os dados são coletados sob condições não controladas,
isto é: em contexto real, adapta-se o plano de coleta de dados às informações
das pesquisas realizadas. Em outras palavras, as informações serão introduzidas
ao plano em estudo, e não ao contrário, como ocorre com estratégias de pesquisa
em condições controladas.
2. Fontes
de Pesquisas
Documentos: a pesquisa
documental pela Internet constará no plano de coleta de dados. Cartas náuticas,
monografias, comunicados, agendas, planos, pesquisas, relatórios, estudos,
jornais etc. O material coletado e analisado é utilizado para complementar pesquisa
de outras fontes e/ou acrescentar informações. Por isso, é importantíssimo
tentar extrair das situações as razões pelas quais os documentos foram criados.
Os documentos podem fornecer "pistas" sobre outros elementos.
Registros de Incidentes ou treinamentos anteriores são
outra fonte de pesquisas. Os documentos gerados de treinamentos e experiências
anteriores constituem uma excelente fonte de pesquisa de um Estudo do Caso.
Trata-se de relato dos incidentes, treinamentos ou simulados realizados na área
e, portanto, retratam as características estratégicas do local. Quando
possível, deve-se analisar relatórios e imagens destes eventos.
3.
Princípios para Pesquisa
●
Usar múltiplas
fontes de pesquisa: Permite o
desenvolvimento da avaliação em várias frentes analisar vários aspectos em
relação ao mesmo fenômeno. As conclusões e descobertas ficam mais consistentes
e apuradas já que advém de um conjunto de informações.
●
Desenvolver, ao
longo do estudo, um banco de dados: Embora
em pesquisas a separação entre a base de dados e o relato não seja facilmente
encontrada, essa separação acontecerá para garantir a confiabilidade, uma vez
que os dados encontrados ao longo da pesquisa estejam armazenados,
possibilitando a análise por outros técnicos. Os registros se darão através de
arquivamento dos arquivos utilizados, alimentação dos bancos de dados
existentes, detalhamento da memória de cálculo e o lançamento dos dados na base
do plano.
●
Formar uma
sequência de pesquisas: Consiste em
configurar o Estudo do Caso de tal modo que se consiga a cada nova informação
adquirida levar ao próximo questionamento que servirá como base para novas
pesquisas. Assegura-se que cada nova pesquisa apresentada seja devidamente
catalogada para a bibliografia do Plano de Emergência.
●
Análise das
pesquisas: É o menos desenvolvido e mais
difícil aspecto da condução de um Estudo do Caso. O sucesso depende muito da
experiência, perseverança e do raciocínio crítico do técnico para construir
descrições, interpretações que possibilitem a extração cuidadosa das conclusões.
Um tratamento - organização e tabulação dos dados ajudarão na análise. O mais
importante nesta fase é ter definida uma estratégia analítica geral já que isso
significa tratar imparcialmente o material das pesquisas encontradas e extrair
conclusões analíticas, apresentando interpretações e descrições alternativas. O
papel da estratégia geral é ajudar o técnico a escolher entre diferentes
técnicas de combate a serem implementadas por ocasião do plano em estudo. Há
duas maneiras de se formatar a estratégia geral: basear-se nas proposições
teóricas - referencial teórico ou desenvolver uma criativa descrição do caso.
Detalhamento
Metodológico
Esta fase envolve a avaliação
de todos os detalhes do processo, visando estabelecer um planejamento das
atividades a serem realizadas. A discussão se inicia pelo esclarecimento dos
objetivos finais do trabalho e de cada uma das macroatividades da estratégia de
resposta, "voltando do final para o começo", de modo a esclarecer os
objetivos e as necessidades de cada etapa do trabalho, assim como de seu
encadeamento.
Para o detalhamento
metodológico, elabora-se uma matriz, teórica e preliminar, de todos os
potenciais impactos ambientais do Plano de Emergência proposto, de modo a
permitir a identificação de quais os temas de maior relevância para os estudos
a serem desenvolvidos, as necessidades de informações, a disponibilidade de
dados, as necessidades de levantamentos de informação em campo, etc.
Para realização deste trabalho
utiliza-se a tecnologia GIS para análise espacial dos elementos disponíveis
para elaboração de táticas de atuação. Neste processo realizam-se as seguintes
atividades:
a) Seleção de material
bibliográfico de cartográfico pré-existente;
b) Obtenção de imagens do
Google Earth, Google Maps, Yahoo Maps, etc;
c) Obtenção de imagens CBERS e
cartas náuticas digitalizadas;
d) Composição de imagens;
e) Processamento digital das
imagens;
f) Digitalização de mapas
temáticos;
g) Etapas de campo para a
confirmação e integração dos dados obtidos nas pesquisas;
h) Organização e composição
das informações;
i) Confecção do Plano de
Emergência.
As etapas de processamento digital e digitalização das
imagens são realizadas por softwares similares ao ArcMap (ESRI GIS and Mapping
Software).
1.
Seleção do Material Bibliográfico e Cartográfico
A seleção do material
bibliográfico será realizada como forma a subsidiar o texto, como referência à
parte conceitual do contexto geoambiental, onde se insere no Plano em estudo.
Neste levantamento realizado em pesquisas diversas busca-se material relacionado
aos aspectos sócio-econômicos, subsidiando a aquisição de dados sobre estes
tópicos. Na internet há um rico material a respeito, sobre as mais diversas
regiões do Brasil, sejam levantamentos técnicos realizados pelo governo e por
empresas, ou monografias desenvolvidas em teses de mestrados, doutorados ou
mesmo graduação sobre os mais variados temas.
As bases de dados do IBGE,
MMA, INPE, IBAMA, GOOGLE e das empresas no entorno podem ser consultadas para
fins de enriquecimento do conteúdo do trabalho.
A seleção do material
cartográfico referente às áreas de estudo será organizada com o objetivo de
obter informações sobre a fisiografia e também para as questões de grandezas
escalares. Dentre os mapas que podem ser utilizados citamos os seguintes: a) Cartas
Náuticas; b) Mapas de sensibilidade; c) Mapas de vulnerabilidade; d) Mapas das
bacias hidrográficas; e) Mapas políticos da região de estudo.
💬 Qual desses papéis
(Supervisão, SMS, Logística ou Equipe de Campo) costuma apresentar os maiores
gargalos de integração nos seus projetos? Deixe sua opinião nos comentários
e vamos trocar experiências!
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"Exploração de Área para Plano de Emergência"!
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de 7 artigos do Blog Estratégia de Resposta.
➡️ Próximo da série: Como o
Planejamento é vasto, dividimos a Primeira Fase em duas partes! No próximo post
(Primeira Fase - Parte 2), vamos aprofundar tudo sobre Mapeamento,
Coleta Direta/Indireta, Rotogramas e Dados Georreferenciados. Clique e
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